Agro e Ambiental ISSN 3086-0415

R$ 92,4 bilhões em crédito rural se sobrepõem a áreas com alertas socioambientais

Cerca de 15% do crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 foi destinado a imóveis com alertas de desmatamento ou degradação da…

Cerca de 15% do crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 foi destinado a imóveis com alertas de desmatamento ou degradação da vegetação nativa, segundo a nova edição do Monitor do Crédito Rural, do MapBiomas. O recorte soma R$ 92,4 bilhões e 831 mil operações, dentro de um volume total de R$ 613,18 bilhões.

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Cinco instituições concentraram aproximadamente 60% dos recursos analisados: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul. O Banco do Brasil liderou o valor total financiado, com R$ 306 bilhões, enquanto o Banco do Nordeste respondeu por 56% do número de operações no período.

A distribuição territorial é desigual. O Piauí reuniu 336 mil contratos com sobreposição a áreas socioambientais. Em volume financeiro, Tocantins apareceu à frente, com R$ 13,9 bilhões, seguido por Mato Grosso, com R$ 13,3 bilhões, e Rondônia, com R$ 13 bilhões. Esses estados concentram parte relevante da exposição indicada pelo monitor.

O próprio levantamento ressalta que um alerta não comprova, por si só, ilegalidade na concessão do crédito. A perda de vegetação pode ter autorização ou estar vinculada a situações administrativas distintas. O dado espacial funciona como sinal para verificação, e não como substituto da análise de licenças, datas, responsabilidades e condições do imóvel.

Para a política de crédito, o desafio é transformar o alerta em procedimento verificável. Bancos precisam documentar como conferem polígonos, atos ambientais e cadastros antes e durante o financiamento, sem adotar bloqueios automáticos baseados apenas na imagem. A transparência desses critérios permite avaliar se recursos públicos reforçam regularidade ambiental ou reproduzem falhas territoriais já conhecidas.

ISSN 3086-0415, edição de Luiz Ugeda.

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